sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Diploma não é essencial para ser presidente, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou nesta sexta-feira que, para ser presidente do país, seja necessário ter um diploma universitário. Segundo ele, saber gerenciar e tomar decisões políticas independem do tempo de estudo.

As declarações foram dadas durante visita às futuras instalações da UFABC (Universidade Federal do ABC), em Santo André (Grande São Paulo). A universidade já funciona em instalações provisórias, e deve se mudar para o prédio no final de 2008.

"Se criou um dogma neste país de que só podia ser presidente da República quem tivesse diploma universitário. (...) Como se pudesse haver qualquer confusão entre a capacidade de gerenciar e de tomar decisão política e a quantidade de anos de escola", disse. "Os anos de escola servem para um milhão de coisas, mas para decisão política é preciso antes de tudo saber de que lado está, e saber se tem consciência ou não de que lado a pessoa está governando".

Porém, Lula defendeu o aumento dos gastos com educação exatamente para que mais pessoas possam "competir com quem já é deputado, com quem já é presidente". "O que queremos é uma sociedade muito mais sábia, muito mais inteligente, muito mais preparada intelectualmente, cientificamente, tecnologicamente", disse. "Agora que a economia brasileira começou a crescer, estamos sentido falta de mão-de-obra qualificada."

Sobre os dispêndios com educação, o presidente disse que não deveriam ser considerados como gastos, e com como investimento.

"Conhecimento custa dinheiro. Mas ou nós gastamos este dinheiro ou amanhã o dinheiro que não quisemos gastar com educação a gente vai gastar em cadeia", explicou. "Pode emprestar dinheiro para uma empresa construir uma fábrica e dizer que é investimento e fazer uma universidade e dizer que é gasto? Prefiro muito mais investir em educação."

Segundo Lula, o Brasil já estaria muito melhor caso estes investimentos educacionais já tivessem em andamento. "Estamos fazendo uma revolução que, se tivesse sido feita há 50 anos atrás (sic), o Brasil seria hoje uma das três ou quatro maiores economias do mundo", disse. "A cada centavo que a gente investir em educação, vamos arrecadar cem vezes mais quatro anos depois, quando o aluno estiver formado."

Fonte: Folha Online

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