quarta-feira, 22 de outubro de 2008

'Era para ter atirado nele', diz pai de Lindemberg ao DN

O nome do paraibano Lindemberg Fernandes Alves, de 22 anos, protagonista do sequestro da jovem Eloá, em Santo André/São Paulo, continua repercutindo em todo o Brasil por causa do desfecho trágico da semana passada. No sertão da Paraíba, a 140km de Caicó, o agricultor José Luciano, de 64 anos, pai de Lindemberg, leva uma vida simples como trabalhador de roçado. Luciano mora sozinho, na zona rural de Teixeira, na Paraíba, e foi entrevistado e fotografado pelo DN Seridó na terça-feira passada.

Luciano mora no Sítio Guarita, em cima da Serra de Teixeira. O local é de difícil acesso. Natural de Santa Terezinha/PB, ele não tem sobrenome e trabalha "alugado" para proprietários rurais, tratando o roçado de milho, feijão, caju e outras atividades agrícolas. Zé Viola, como é mais conhecido o agricultor, mora sozinho no Sítio Guarita, a 12 quilômetros da cidade de Teixeira, e conta que foi pai de oito filhos. Um deles morreu. Uma de suas mulheres foi Maria das Dores Alves, que conheceu em Patos, na Paraíba, após ela se separar de outro casamento. Com ela, Zé Viola conviveu oito meses e dessa relação nasceu Lindemberg Fernandes Alves. "Quando o menino tinha dois anos, ela disse que ia embora para Cuiabá, onde mora um irmão dela. Eu disse que não ia. Ela pediu dinheiro para registrar o menino e depois foi embora, nunca mais soube notícias", narrou o agricultor.

José Luciano acompanhou diariamente pela televisão os acontecimentos em São Paulo, mas só soube que Lindemberg era seu filho após o desfecho trágico da morte de Eloá. "Nunca me passou pela cabeça que era um filho meu, porque eu nunca tinha mantido contato com ele. Aí, ontem (segunda-feira), uma madrinha me ligou de Patos e me disse que era meu filho. Foi então que relembrei. Acho que é um problema de loucura, um cara novo que deveria ter procurado um outro meio de vida... agora deu fim a uma vida e terminou a dele praticamente. Vamos dizer que ele pegue 30 anos de cadeia, vai sair da cadeia com 52 anos, é uma vida perdida, eu acho que a polícia deveria ter agido mais rápido no momento que ele liberou a primeira refém. Eu acho que tinha dado para eles invadirem naquela hora, mas quem está fazendo o trabalho é que sabe", disse.

Lindemberg saiu de Patos/PB com dois anos de idade, ao lado da mãe, Maria das Dores. "Maria das Dores era casada com um "redeiro", se separou, teve uma filha com outro homem lá de Patos, depois teve esse filho meu e foi embora", comentou. José Luciano diz que não foi sequer ao cartório para registrar o filho Lindemberg e não deu sugestão sobre o nome a ser escolhido. "Eu não fiz o registro. Ela mandou pedir meus documentos e o dinheiro, parece que foi 17 cruzeiros na época, eu mandei. Depois, quando saiu do fórum, só foi pegar um carro e viajar para Cuiabá", citou.

Agricultor avalia ação da polícia

O agricultor deu sua opinião a respeito do que deveria ter ocorrido com Lindemberg Fernandes Alves. "Eu achava que deveriam ter atirado nele porque o cara quando chega naquele ponto, a polícia tem que agir... ou de uma forma ou de outra, tem que reagir". José Luciano diz que não mudou seu pensamento quando soube que Lindemberg é seu filho. "Não mudei de opinião porque eu acho que você deve assumir pelo que faz e pagar pela culpa que você deve. A verdade tem que ser dita. O que eu não quero pra mim não desejo pra você. Eu acredito que uma pessoa quando faz uma coisa daquelas não está normal. Agora eu acho que ele está mais aperreado do que a mãe que perdeu a filha, porque um cara jovem que podia ter estudado, poderia até ser um homem importante, está com a vida perdida entre quatro paredes. Eu acho que ele tinha um amor louco pela moça. Porque quem gosta de uma coisa não da fim a ela", analisou.

Luciano avalia que a polícia agiu de forma errada em não evitar a morte de Eloá Cristina. "Poderiam ter procurado um negócio mais rápido, poderiam ter botado um negócio na comida para ele ficar dopado, isso tudo poderia acontecer".

Fonte: DN Online

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